História da Marchetaria
O mais antigo objeto marchetado é uma bacia de pedra
calcária da Mesopotâmia, datada por volta de 3.000 A.C. Um outro exemplo
é um caixão de madeira a Dinastia Yin (1300 A.C./220 D.C.). Por volta de 350 a.C. foram encontrados em
halicarnasso evidências da técnica do embuti mento no palácio do rei Mausole,
em cujas paredes havia incrustações em mármore. Porém a
arte de embutir diversas folhas de madeiras em superfícies de madeira, para
criar projetos artísticos, foi praticada habilidosamente pelos egípcios
antigos.
Das minas de cobre desenvolveram o bronze e com eles fizeram as lâminas
dentadas para usar como serras. A natureza negou-lhes, no entanto, a abundância
de árvores. Por esse motivo, era necessário importá-las, o que encarecia muito
a sua prática. Podemos presumir que essa escassez incentivou os empreendedores egípcios
a iniciar a produção de serrar em laminas os caules das árvores - estes são os
primeiros indícios históricos do nascimento dos folheados.
Mais tarde, os romanos desenvolveram um método chamado "tarsia
certosina", em que as partes do folheado (entre outros materiais, como
pedra, madeira, metal) eram cortadas e embutidas nas cavidades dos painéis de
madeira com o auxílio de formões ou ferramentas similares; para a fixação das
peças, era utilizada cola. A partir dela, muitas outras técnicas foram desenvolvidas.
As técnicas de corte e o ferramental seguiram evoluindo, possibilitando assim
que os cortes das madeiras passassem a ser feitos de uma nova maneira nas
serras, ainda manuais, porém muito eficientes. Essas ferramentas permitem o
corte de traços sinuosos com muita precisão e assim um maior detalhamento e
maior nitidez de motivos complexos.
Inventaram, então, uma engenhosa "serra de curva" que poderia
melhorar o corte dos folheados. Essa descoberta trouxe técnicas avançadas aos
artesãos romanos. Após o desmembramento do Império Romano, a marchetaria, que é
um meio de expressão artística, esteve a ponto de perder-se, entretanto, o mais
célebre artesão exerciam seu ofício na região da Toscana, Itália.
No início do século XIV, é criada a "tarsia geométrica": as
superfícies que seriam decoradas eram inteiramente recobertas com folhas de
madeiras em lugar das incrustações. Nessa mesma época, iniciou-se o tingi mento
das madeiras com o uso de óleos penetrantes, corantes diluídos em água aquecida
e ácidos. A areia aquecida é utilizada para sombreamento das obras.
No século XV, a marchetaria era praticada em particular na cidade de Florença,
tendo em Francesco di Giovanni de Mateo, fundador da Escola Florentina de Arte,
seu principal expoente.
Os artistas geralmente eram contratados para decorar igrejas e palácios.
Durante a Renascença é criada a "Tarsia a Toppo" (ou marchetaria
maciça, ou estrutural, como hoje é chamada). Atualmente esse procedimento é
utilizado pelas indústrias de filetes decorativos.
Por volta de 1620, sob a influência dos mestres italianos, que retratavam em
suas obras os edifícios característicos de suas vilas, ruas, praças e também
paisagens, a marchetaria foi evoluindo (os motivos antes predominantes eram os
arabescos) com novas técnicas de corte, possibilitando detalhes cada vez mais
minuciosos. Nessa época, surge na Alemanha a "Tarsia a Incastro"
(recorte simultâneo das partes a serem montadas).
Na segunda metade do século XVI, muitos gabinetes (tipo de móvel) são decorados
com folhas de ébano. Essa madeira, que foi muito utilizada nos sarcófagos dos
Faraós, se prestava para ser esculpida em baixo-relevo. No
entanto, era substituída pela pereira, enegrecida com auxílio de extrato de
nogueira.
Em muitas partes do mundo a marchetaria era e ainda é produzida através dos
procedimentos da "Tarsia Certosina" (incrustações) e da Tarsia
Geométrica (revestimentos). Os efeitos obtidos pelas incrustações de
madrepérola na madeira maciça são conhecidos, sobretudo no Extremo Oriente. Nos
países muçulmanos e no oriente, é muito popular o revestimento de móveis e
pequenos objetos com motivos geométricos.
Por muitos séculos a Marchetaria centrou-se em Paris, onde André-Charles
Boulle, ebanista do Rei Luis XIV, aperfeiçoou essa técnica agregando vários
materiais, tais como folhas de cobre, latão, casco de tartaruga, placas de
ossos e marfim. Com o passar do tempo, a Marchetaria entrou em uma fase de
decadência, mantida por não mais do que uma centena de artista, resurgindo,
porém, com o advento da Art. Nouveau. Apareceram, então, os motivos
estilizados, tais como: flores, pássaros, borboletas e insetos.
Existe na Europa, América do Norte e Austrália muitos ateliês de marchetaria e
associações de marcheteiros dispostos a não somente manter as antigas tradições
da Arte em Madeira, com refinadas criações artísticas de caráter contemporâneo,
mas também a restauração de obras antigas.
Ao longo dos anos são realizadas várias exposições e existe um forte mercado já
consolidado nesse campo.
Fonte: Coleção Artes
Manuais/Editora Escala.